Cuba resiste e a solidariedade é um dever da América Latina
- Pra Começo de Conversa
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Por Washington Luiz
Cuba vive hoje um dos períodos mais difíceis de sua história recente. Não se trata de uma crise isolada ou fruto de escolhas internas descontextualizadas, mas de um cenário agravado por décadas de bloqueio econômico, financeiro e comercial imposto pelos Estados Unidos, que penaliza diretamente o povo cubano e limita o acesso do país a recursos básicos, energia, medicamentos e alimentos. Os efeitos desse bloqueio são conhecidos, mas muitas vezes invisibilizados. A escassez de eletricidade, as dificuldades no abastecimento e o impacto direto na vida cotidiana da população não podem ser analisados sem considerar o cerco internacional que tenta, há mais de 60 anos, sufocar um projeto político soberano e independente na América Latina.
Durante recente visita na Embaixada de Cuba, em Brasília, tivemos a oportunidade de ouvir, com franqueza, os relatos sobre a situação atual do país e seus desafios. O que se percebe é um povo que resiste, que segue apostando na educação, na saúde pública e na dignidade como valores centrais, mesmo sob condições extremamente adversas. Cuba continua sendo um símbolo de resistência, mas também de humanidade.
O Maranhão conhece bem essa história de solidariedade. Foi o estado brasileiro que mais recebeu médicos cubanos, profissionais que atuaram com compromisso, sensibilidade social e profundo respeito à população mais pobre, especialmente em regiões onde o Estado brasileiro historicamente falhou. Essa cooperação deixou marcas positivas e uma relação de gratidão que não pode ser esquecida.
Diante do atual contexto, a solidariedade internacional deixa de ser apenas um gesto político e se torna uma responsabilidade ética. Defender Cuba hoje é defender o direito dos povos à autodeterminação, é denunciar os impactos perversos do bloqueio e afirmar que a América Latina não pode aceitar a lógica da punição coletiva como instrumento de dominação. Retomar iniciativas como o Comitê de Solidariedade a Cuba, articular universidades, movimentos sociais, partidos e organizações populares é fundamental. A solidariedade precisa se traduzir em ações concretas, seja por meio de campanhas de arrecadação, do envio de medicamentos e insumos essenciais ou da mobilização política para denunciar o bloqueio nos espaços institucionais e internacionais.
A tradição do campo democrático e popular, da qual o Partido dos Trabalhadores faz parte, sempre foi a de defender a integração latino-americana, a cooperação entre os povos e a justiça social para além das fronteiras nacionais. É esse compromisso que nos move.

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