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Sessão solene para entrega da medalha Negro Cosme ela personalidades do Maranhão

  • Foto do escritor: Pra Começo de Conversa
    Pra Começo de Conversa
  • 27 de nov. de 2025
  • 10 min de leitura

A Assembleia Legislativa promoverá, nesta sexta-feira, 28 de novembro, às 9h, no Plenário Nagib Haickel, Sessão Solene para entrega da Medalha do Mérito Legislativo Negro Cosme às seguintes personalidades: à pesquisadora Maria Raimunda de Araújo (Professora Mundinha), ao professor Antônio de Lisboa Machado Filho, à ativista Pureza Loiola, à professora Josefa Melo e Sousa Bentivi Andrade, a Almerice da Silva Santos (Dona Teté – in memoriam), à Desembargadora Oriana Gomes de Jesus Mendonça, à Desembargadora Ângela Maria Moraes Salazar, ao Bispo Dom José Valdeci Santos Mendes, a Roberto Costa (prefeito de Bacabal), à vereadora Maria Nice Machado Costa e à professora Maria de Lourdes Siqueira.


A outorga da Medalha a Maria Raimunda de Araújo (Mundinha Araújo) é oriunda do Projeto de Resolução Legislativa nº 135/2025, de autoria da presidente Iracema Vale e do deputado Florêncio Neto. Conhecida como Prof. Mundinha Araújo, a homenageada nasceu em São Luís, em 1943. Pesquisadora, diretora do Arquivo do Estado do Maranhão, fundadora do Centro de Cultura Negra do Maranhão e do Bloco Akomabu. E figura central em São Luís e referência na luta antirracista das regiões Norte e Nordeste. Filha do comerciante Eugênio Estanislau de Araújo e Neuza Valeriana Ribeiro de Araújo. Ingressou em 1957, no Ginásio Estadual do Instituto de Educação e, em 1964, na escola normal mantida pelos ferroviários. Graduou-se em Comunicação na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). No fim dos anos 1970, iniciou sua participação nas lutas negras do Maranhão. Em 1979, com outros militantes, criou o Centro de Cultura Negra do Maranhão. Nos anos 1980, participou das discussões para a construção do Memorial Zumbi e frequentou os encontros de negros do Norte e do Nordeste. Integrou também o grupo fundador do primeiro bloco afro da cidade, o Akomabu. É autora de importantes livros sobre a história negra do Maranhão, como: “A Revolta de Escravos de Viana” (1867), lançado em 1994, e “Em busca de Dom Cosme Bento das Chagas Negro Cosme” (2008). Pelo conjunto de trabalhos e ações coletivas de que está à frente, recebeu premiações como o título de doutora honoris causa pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA).


A outorga da Medalha ao advogado Antônio de Lisboa Machado Filho (Professor Lisboa), é oriunda do Projeto de Resolução Legislativa nº 136/2025, de autoria da presidente Iracema Vale e do deputado Florêncio Neto. O homenageado nasceu em 11 de julho de 1968, em São Luís. Formou-se em Direito e construiu sua trajetória com dedicação aos estudos e ao aperfeiçoamento profissional, destacando-se por sua atuação na área jurídica. Como advogado, exerce sua profissão com ética, comprometimento e profundo senso de justiça, buscando sempre contribuir para o fortalecimento do Estado de Direito e a defesa dos direitos individuais e coletivos. Mantém forte ligação com sua terra natal e valoriza os princípios familiares e comunitários que marcaram sua formação pessoal. Ao longo de sua vida, consolidou uma reputação de seriedade, responsabilidade e compromisso com as causas sociais e jurídicas que defende. Foi eleito vereador de São Luís (2013 a 2016). Sua trajetória reflete o empenho de um profissional que alia conhecimento técnico, experiência e sensibilidade humana, colocando-se como exemplo de integridade e dedicação à profissão e à sociedade.


A outorga da Medalha a Pureza Lopes Loyola é oriunda do Projeto de Resolução Legislativa nº 137/2025, de autoria da presidente Iracema Vale e dos deputados Davi Brandão e Florêncio Neto. A homenageada nasceu em Presidente Juscelino, e depois, mudou-se para Bacabal, após o casamento. Ficou viúva e criou sozinha os cinco filhos, trabalhando em uma olaria. Alfabetizou-se aos cerca de 40 anos de idade, motivada pelo desejo de ler a Bíblia. Em 1993, o filho caçula, Antônio Abel Lopes Loyola, foi trabalhar em busca de melhores condições no interior do Pará e desapareceu. Durante cerca de três anos, Pureza percorreu várias fazendas, garimpos, regiões rurais do Maranhão e Pará em busca do filho. No percurso, testemunhou e documentou casos de trabalho em condição análoga à escravidão: confisco de documentos, dívidas impagáveis, jornadas exaustivas, trabalhadores submetidos a rotina degradante. Em 1996, ela reencontrou o filho, segundo registros. Em 1997, recebeu o Prêmio “Anti-Slavery Award” da Anti Slavery International (Reino Unido), por sua luta contra a escravidão moderna. Em junho de 2023, foi agraciada com o prêmio “Heroes in the Fight against Human Trafficking / Trafficking in Persons Report Hero Award” pelo Governo dos Estados Unidos, sendo a primeira mulher brasileira a receber essa distinção. Sua história inspirou o filme brasileiro Pureza (2022), dirigido por Renato Barbieri e protagonizado por Dira Paes — o longa relata a saga de Pureza como símbolo da luta contra o trabalho escravo contemporâneo.




A outorga da Medalha à professora Josefa Melo e Sousa Bentivi Andrade, é oriunda do Projeto de Resolução Legislativa nº 138/2025, de autoria da presidente Iracema Vale e do deputado Antônio Pereira. É professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e atua como Pró-Reitora de Extensão e Cultura da instituição. Em reconhecimento ao seu trabalho de pesquisa na área de comunicação/imprensa, foi homenageada com a “Comenda dos 200 Anos da Imprensa no Maranhão”. Em suas falas públicas, ela enfatiza a importância da imprensa como instituição social e da linguagem no jornalismo. Participa ativamente de ações culturais da UFMA, como o Festival Guarnicê de Cinema, no qual ressalta o valor da arte, cultura e audiovisuais para a universidade e para o estado. Como professora pesquisadora da área de comunicação e cultura, contribui para o entendimento das instituições jornalísticas e culturais. Como Pró-Reitora de Extensão e Cultura na UFMA, coordena ações que aproximam a universidade da comunidade, trabalha memória, cultura, extensão universitária e programas culturais. Ela também atua em conselhos curatoriais, por exemplo é Presidente do Conselho Curador da Fundação Sousândrade para o mandato 2025-2028.


A outorga in memoriam da Medalha a Almerice da Silva Santos (Dona Teté) é oriunda do Projeto de Resolução Legislativa nº 139/2025, de autoria da presidente Iracema Vale e do deputado Antônio Pereira. A homenageada nasceu em 1924, no bairro do Batatã/Coroadinho, em São Luís, recebeu o apelido Teté ainda no batismo. O nome veio porque, segundo o sacerdote, “Almerice era muito grande para uma menina tão miúda e frágil”. Teté cresceu em meio a ladainhas e batidas de caixeiras. Aos 8 anos, aprendeu, por curiosidade e observação, a tocar a Caixa do Divino, instrumento que se tornaria seu principal companheiro cultural. Aos 12 anos, começou a trabalhar como empregada doméstica. Foi cantora, compositora e percussionista, tendo papel essencial na cultura popular maranhense. Sua carreira artística se consolidou aos 50 anos de idade. Em 1986, influenciada pelo folclorista Lau (Laborarte), surgiu o Cacuriá de Dona Teté. O grupo começou com apresentações durante o festejo do Divino e, ao longo do tempo, expandiu para shows e apresentações musicais, se tornando referência do cacuriá no Maranhão e no Brasil. Gravou seu primeiro CD por volta de 2000, inovando o cacuriá ao introduzir novos instrumentos, como: cordas, flauta, baixo, clarinete, teclado, entre outros. Em 2003, lançou o segundo disco, incluindo músicas como: “Bota a cana pra assar, assa a cana”, “Choro da lera”, “Cabeça de bagre”, “Mariquinha”, “Rosa menina”, e “A cana”, entre outras. Suas composições mesclavam humor, tradição e cotidiano. Sua versatilidade tornou Dona Teté conhecida pela capacidade de conduzir ladainha, tocar caixa, puxar tambor de crioula e animar cortejos e festividades religiosas. Faleceu em 10 de dezembro de 2011, vítima de AVC, aos 87 anos. Seu legado permanece como referência da cultura popular maranhense e da tradição do cacuriá.


A outorga da Medalha à Desembargadora Oriana Gomes é oriunda do Projeto de Resolução Legislativa nº 140/2025, de autoria da presidente Iracema Vale e do deputado Fred Maia. A homenageada nasceu em São Luís, em 29 de julho de 1949. É graduada em Pedagogia (1977) e em Direito (1980), ambas pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). É pós-graduada em Direito Público (2011, UFMA), Ciências Criminais (2003, Centro Universitário do Maranhão – UNICEUMA) e Direito Constitucional (Faculdade UNDB). Ingressou no serviço público em 1974. Atuou como Promotora de Justiça Estadual e foi nomeada magistrada em 30 de dezembro de 1989. Lecionou por cerca de 26 anos na UFMA como professora de Direito Público. Em 24 de janeiro de 2024, foi empossada como Desembargadora do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) e aposentou-se 16 de julho de 2025. Oriana iniciou sua carreira pública como agente administrativo, depois oficiala de Justiça avaliadora, antes de ingressar no Ministério Público. Como juíza, atuou em diversas varas: cível, criminal, família, juizados especiais, além de exercer função de diretora de Fórum Eleitoral em São Luís. Seu gabinete no 2º Grau do TJMA foi destacado como o mais produtivo em 2024, tendo julgado 6.471 processos naquele ano. Ela foi eleita membra substituta da Corte Eleitoral do Maranhão (Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão – TRE-MA) em novembro de 2024. Em março de 2024, recebeu a Medalha Especial do Mérito Medalha Especial do Mérito Cândido Mendes pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Maranhão (OAB/MA), em reconhecimento à sua trajetória. Em 2025, a Assembleia Legislativa do Maranhão concedeu-lhe a “Medalha de Honra ao Mérito do Legislativo Manuel Beckman”, em homenagem aos serviços prestados ao Poder Judiciário no estado.


A outorga da honraria á Desembargadora Ângela Maria Moraes Salazar é oriunda do Projeto de Resolução Legislativa nº 141/2025, de autoria da presidente Iracema Vale e da deputada Solange Almeida. A homenageada nasceu em 26 de novembro de 1957. É filha de Benedito Salazar e Maria da Conceição Moraes Salazar. Construiu sua carreira na magistratura do Maranhão. Sua atuação a levou a ocupar posições de destaque, incluindo a de Desembargadora no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA). Sua posse ocorreu em 8 de novembro de 2013. Além de sua função no TJMA, a Desembargadora Ângela Salazar atuou como Presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA). É conhecida por seu envolvimento em questões relevantes, como o combate e a prevenção à violência contra a mulher, equidade racial e democracia, frequentemente participando de seminários e congressos nacionais e internacionais sobre esse tema.




A outorga da honraria a Bispo Dom José Valdeci Santos Mendes é oriunda do Projeto de Resolução Legislativa nº 142/2025, de autoria da presidente Iracema Vale e da deputada Dra. Helena Duailibe. Reverendíssimo Senhor Dom José Valdeci Santos Mendes é bispo de Brejo (MA) desde 28 de agosto de 2010. Maranhense de Coroatá, nasceu no dia 12 de setembro de 1961. Estudou Filosofia e Teologia no antigo CETEMA, hoje, Instituto de Ensino Superior do Maranhão (Iesma). É licenciado em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará e tem especialização em Bíblia pelo Instituto de Estudos Superiores da Companhia de Jesus, em Belo Horizonte (MG). Ordenado padre pela diocese de Coroatá em 11 de setembro de 1994, dom José Valdeci foi vigário paroquial e, posteriormente, pároco de três paróquias da diocese entre 1994 e 2009. Em seu ministério sacerdotal, foi membro do Conselho Presbiteral e do Colégio de Consultores da diocese de Coroatá, assessor diocesano da Pastoral Familiar, reitor do Seminário Maior Nossa Senhora da Piedade e coordenador diocesano de pastoral. Dom José Valdeci foi nomeado bispo pelo Papa Bento XVI, em 5 de maio de 2010, e ordenado para o ministério episcopal em 21 de agosto do mesmo ano, na cidade de Arari (MA). Na 57ª Assembleia Geral da CNBB, em 2019, dom Valdeci foi eleito presidente da Comissão para a Ação Sociotransformadora. No último quadriênio, fez parte do Conselho Gestor do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) da CNBB e coordenou as mobilizações em curso do processo da 6ª Semana Social Brasileira.


A outorga da honraria ao prefeito de Bacabal, José Roberto Costa é oriunda do Projeto de Resolução Legislativa nº 143/2025, de autoria da presidente Iracema Vale e dos deputados Davi Brandão, Antônio Pereira e Florêncio Neto. Roberto Costa cresceu no bairro Codozinho, em São Luís. É filho de Roberto Oliveira, ex-jogador de futebol do Sampaio Corrêa, Moto Club e Maranhão Atlético Clube, e de Elza Maria, Procuradora Federal, formada em Direito e Filosofia, militante de movimentos sociais e políticos. Estudou no Colégio Sousândrade e na Escola Modelo Benedito Leite, época em que ingressou no movimento estudantil e foi eleito Diretor de Imprensa da UMES. Roberto se formou em Administração e Gestão de Recursos Humanos. Trabalhou como assessor parlamentar na Assembleia Legislativa do Maranhão e no Senado Federal e atuou nos diretórios Estadual e Municipal do PMDB. Em 2009, tomou posse como deputado estadual (suplente) e foi convidado por Roseana Sarney para assumir a Secretaria de Esporte e Juventude (SEJUV). Durante sua gestão à frente da secretaria, Roberto inovou nos 37º Jogos Escolares Maranhenses (JEMS), regionalizando as etapas da competição e batendo o recorde de participação de atletas e de municípios. Na legislatura de 2018-2022, Roberto foi membro da Mesa Diretora como 4° secretário e atuou como 2º Secretário da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Maranhão. Em 2019, teve dois grandes projetos aprovados e sancionados: a Lei nº 11.056/19, que dá prioridade aos portadores de diabetes em filas de órgãos públicos, instituições financeiras e estabelecimentos comerciais; e a Lei nº 11.067/19, que assegura equidade salarial entre homens e mulheres que prestarem o mesmo serviço através de empresas contratadas do Governo do Estado. Foi eleito prefeito de Bacabal nas eleições de 2024 e é o atual presidente da Federação Maranhense dos Municípios (FAMEM).


A outorga da honraria a Maria Nice Machado Costa é oriunda do Projeto de Resolução Legislativa nº 144/2025, de autoria da presidente Iracema Vale e dos deputados Adelmo Soares, Florêncio Neto e Osmar Filho. Conhecida como D. Nice, é uma liderança quilombola, extrativista e ativista. Ela é uma figura central na luta pelos direitos das quebradeiras de coco babaçu, na defesa dos territórios quilombolas, na preservação da floresta e na valorização da cultura local. Cofundou o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) e é uma forte defensora dos direitos dessas mulheres e do uso sustentável do babaçu. Desde criança, ela trabalha com o coco babaçu e, em 1987, ajudou a fundar o MIQCB para organizar as quebradeiras e lutar por seus direitos. Ela também já presidiu a Associação das Comunidades Negras Rurais e Urbanas do Estado do Maranhão (ACONERUQ). Dona Nice sempre lutou contra a violência agrária, o avanço do agronegócio e a exploração dos atravessadores. Ela defende a demarcação e a posse dos territórios onde vivem as quebradeiras, para garantir sua subsistência e o equilíbrio ecológico. Com mais de 40 anos de luta, Dona Nice é reconhecida como uma inspiração para outras mulheres negras e quilombolas, especialmente por sua dedicação à defesa da floresta e da vida. Ela foi eleita vereadora em Penalva (2004 a 2008).



A outorga da honraria a Maria de Lourdes Siqueira é oriunda do Projeto de Resolução Legislativa nº 145/2025, de autoria da presidente Iracema Vale e das deputadas Daniella e Ana do Gás. Conhecida como professora Lourdinha, nasceu em 1937 no quilombo Matões dos Moreira, em Codó, e tornou-se referência na antropologia afro-brasileira. Estudiosa dos orixás e do candomblé, atuou na Fundação Cultural Palmares e formou gerações de intelectuais. Publicou obras essenciais sobre identidade, ancestralidade e luta quilombola. Combateu o racismo com rigor acadêmico e sabedoria ancestral, marcando a história intelectual do Brasil negro. É também militante dos direitos humanos e das lutas contra as desigualdades sociais e étnico-raciais. É graduada em Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Federal do Maranhão(1964). Tem especialização em Comunidades Latino Americanas pelas Nações Unidas e Centro Regional de Educação(1967), mestrado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(1986), doutorado em Doutorado Em Antropologia Social e Etnologia pela Ecole des Hautes Études en Sciences Sociales(1992), pós-doutorado pela University Of London School Of Orient And African Studies(1998) e pós-doutorado pela University Of South Africa (2000). Foi servidora da Universidade Federal da Bahia e recebeu o Título de Cidadã Bahiana pela Assembleia Legislativa da Bahia. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia da Populações Afro-Brasileiras. É autora dos livros: Imagens Negras: ancestralidade, diversidade e educação (2006), À Flor da Pele: Histórias dos Mundos por Onde Andei e Negritude Atitude.


Fonte : Agência Assembleia

 
 
 

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